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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Um passado sem condenações


Impossível não contar minha história sem falar da presença de minha mãe...nossas histórias estão intrinsecamente ligadas! Muitos sabem que eu fui criado sem a presença de um pai e pra todo canto minha mãe me levava. Lembro que vivíamos como nômades, mudando de cidade em cidade em busca de não sei o quê...
Ela era empregada doméstica daquelas que fazia de tudo, cozinheira autodidata de forno e fogão, fazia os pratos mais saborosos para me agradar e em particular eu lembro de uma gelatina de beterraba que era uma delícia; confesso que nunca comi outra igual depois que ela se foi...
Mas o que eu quero falar não é sobre minha mãe ou sobre suas habilidades; eu quero falar sobre como tudo isso influenciou minha vida...
Lembro-me de quando ela me colocou para trabalhar pela primeira vez aos 12 anos, morávamos na praia do Gonzaga em Santos/SP, eu fui vender picolés na praia, debaixo de um sol escaldante! Eu odiava... a experiência não demorou mais do que dois meses! Aos 13 anos ela me matriculou na Escolinha de Patrulheiros de Santos, lá aprendi os primeiros ofícios trabalhistas e fui encaminhado à uma loja de roupas unissex no shopping do Gonzaga. Eu trabalhava com três mulheres (Tânia, Ângela e Silvia) que me bajulavam o tempo todo, por causa da minha beleza e docilidade. Me chamavam carinhosamente de “PIMPO” (de Pimpolho) !! Aos 14, fui trabalhar em uma imobiliária e pela primeira vez, minha carteira registrada como Auxiliar de Escritório. Foi quando brotou meu primeiro desejo sexual por um carinha de 20 anos e vivemos uma ardente paixão!! Aos 15, fomos morar em Sampa e trabalhei na Construtora Mendes Jr.
Aos 16, minha mãe me matriculou na Escola de Aprendizes de Marinheiro, ela queria me ver um oficial da Marinha e então eu e mais 39 adolescentes fomos estudar em um quartel na cidade de Vila Velha/ES. Foi uma catástrofe do ponto de vista emocional. Eu nunca havia ficado nu na frente de tantos homens num mesmo ambiente! Aprendi a duras penas a me defender e esconder meus desejos. Mas inevitavelmente me apaixonei por um colega de turma e com ele tive um romance escondido! Foi uma loucura, ele vinha para meu beliche, se deitava ao meu lado e debaixo da coberta nos amávamos; enquanto nos beliches vizinhos dormiam 150 marinheiros que jamais sonhavam o que estava acontecendo e ninguém nunca descobriu! Isso durou alguns meses até que inúmeras experiências negativas me forçaram a tomar a decisão de desistir do curso; para desespero de minha mãe! Aos 17, retornei pra Sampa, morando com minha mãe e de novo, trabalhando na Mendes Jr. Aos 18, fui obrigado a servir o Exército, não me pergunte como isso aconteceu! Servi revoltado, me sentia vivendo uma farsa durante nove meses no extinto 2º Batalhão de Guardas de SP. Lá aprendi a usar drogas e peguei gonorreia pela primeira vez. A pior experiência foi ter sido seduzido por um idiotadinho colega de turma, a ponto dele se passando por vítima, me entregar de bandeja pro sargento! 

Fui humilhado, preso e expulso! Só consegui limpar minha ficha de “pederasta”, depois de cinco anos! Um horror!!! Minha mãe ficou chocada, mas nunca conversamos abertamente sobre isso! Ela adotou a política do: “não pergunto, não me conte”! Simplesmente me mandou para o interior da Bahia, para que eu esquecesse o episódio e recomeçasse!  Então aos 20 anos, no terceiro ano do antigo Colegial, saí de casa e só voltei aos 27; quando me encontrava no fundo do poço! O período no exílio, como podemos assim chamar; foram os melhores anos de minha vida. Trabalhei no Cartório da cidade e fui auxiliar no trabalho de um geólogo na marcação de uma nascente de rio. Reconstruí minha vida sozinho, longe de meus familiares sanguíneos que sempre se mantiveram distantes, nos víamos muito pouco. Ganhei irmãos, irmãs, novos parentes e até pai e mãe. Aprendi a me amar e ser amado por amizades conquistadas com simplicidade. Conheci Deus, fiz parte de grupos de jovens, “namorei garotas apenas para saber que gosto tinha”; afinal eu estava em novo processo de aprendizagem. Logo descobri que meu tesão mesmo era por homens com “M” maiúsculo! Mas morando no interior da Bahia, naquela época essas coisas eram consideradas “tabus”. O fato marcante é que em um dos nossos encontros regionais, eu conheci aquele que eu poderia chamar de “um anjo enviado por Deus”: Luís Edson (o Lula para os íntimos), meu amigo e irmão até os dias atuais!! Aos 22 anos fui morar em Salvador/BA, na casa de Lula, com sua mãe e seus irmãos, sobrinhos, cães e gatos. Ganhei uma família inteirinha só pra mim. Foram experiências enriquecedoras! Consegui emprego como Auxiliar de Tesouraria na MESBLA e cada vez mais me sentia dono da minha vida e das minhas vontades! Então com 23, tive o primeiro relacionamento sério com outro homem, moramos juntos e nossa relação foi muito construtiva. Fui trabalhar como Escriturário no Banco Bradesco. Aos 24, minha mãe chegou na surdina em minha casa armou o maior barraco, brigou com meu companheiro e exigiu que eu acabasse aquela pouca “vergonha” (como ela dizia). Não tive escolha, imediatamente aluguei um apto e morei alguns meses com ela. Pedi transferência para Vitória da Conquista/BA; cidade natal do meu “ex”.
Um lugar que me encantou desde o primeiro instante! Em Conquista, voltei a namorar garotas para agradar minha mãe e também porque meus colegas de banco só queriam jogar bola, pegar garotas e fumar baseado (afinal estávamos na efervescência dos anos 80!!). Minha mãe não aguentou a barra e decidiu retornar pra Sampa. Eu aproveitei pedi demissão do banco e retornei pra Salvador. Aos 25, na gandaia, resolvi curtir novos ares em Olinda/PE, fui morar com uma família que me permitiu entrar em suas vidas da forma mais tranquila possível. Considero-os meus "gurus" até os dias atuais! Trabalhei em Concessionária de Automóveis, Restaurante Francês, em diversos Barzinhos como Garçom ou Caixa e também como Encarregado de Padaria de Supermercado no Recife/PE. Levava uma vida produtiva e curtia adoidado, até aparecer aquele que iria fazer com que todo meu castelo desmoronasse!! Mas isto é uma outra história que eu contarei na próxima postagem, pois esta foi um pouco longa! 
Beijos e até a próxima...