Pessoas que me prestigiam!!!

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Num Click, Nós e Eles


Então acordamos bem cedo, e mesmo cansados do passeio do dia anterior, estávamos dispostos a enfrentar os sete quilômetros, somente de ida, até chegar a famosa cachoeira do Sossego! Pegamos o carro e o deixamos fora da cidade e seguimos viagem a pé...novamente Gera, Marcio e Eu. Dessa vez sob os cuidados do Guia Marcos! Partimos então por uma trilha que é até bem tranquila, fizeram um calçamento de pedras onde se pode andar com segurança e conforto, de repente a primeira subida, nada de tão assustador. Passamos pelo ponto de apoio e alguns metros depois a coisa começa a se complicar; pedras gigantescas pelo caminho, subidas e descidas que vão tornando a viagem dificultosa e cansativa! Logo Marcos o guia sutilmente nos deixa claro que se por um acaso no meio da viagem entre dez pessoas um decidir que não quer seguir em frente, todos têm que voltar! Ele sendo responsável não podem deixar ninguém esperando no caminho e nem a pessoa retornar sozinha! A medida que subíamos, o trajeto ia se tornado mais e mais tenso, à beira de um rio muitas vezes tivemos que nos equilibrar pra não cair nas crateras entre pedras!
Nada daquilo nos desanimava, até porque nosso amigo Marcio sonhava por aquele passeio há meses e nós não queríamos decepcioná-lo! Também queríamos afinal é prazeroso vencer nossos limites! Então saltávamos sobre as pedras, como dois jovens de meia idade ou de idade e meia como queira. Muitas paradinhas pra tirar fotos e aliviar o cansaço das nossa belas pernas. Marcio e Marcos como jovens que são, seguiam à frente como alpinistas experientes e de vez em quando esperavam por nós. Vez ou outras tiravam uma onda conosco pra descontrair, deixa eles só o tempo dirá! Rsrsrs. De repente em meio ao sol escaldante que deixa as pedras infernais de quentes, um pequena fio de água impressionantemente gelada; matamos a sede, enchemos as garrafas e sebo nas canelas! Finalmente chegamos a cachoeira que um dia fora deslumbrante. Hoje por causa da degradação da natureza, ainda é um lugar bonito, mais com risco de desaparecer! Ficamos ali por algumas horas, lanchamos, descansamos e tiramos muitas fotos, e durante aquele tempinho observamos uma casal, muitos simpático, dessas pessoas cativantes, que te conquistam sem dizer uma única palavra. Aqueles dois eram bem assim! Algum tempo depois pegamos a trilha de volta e no meio do caminho acompanhamos um pequeno grupo de pessoas, e adivinhem quem estavam no meio deles? O próprio casal!! Percebemos que além de simpáticos e lindo eles também eram eloquentes e expansivos, de cara já vi ele metendo o pau no PT, entre uma conversa e outra eu meti o pau no funk, e eles de cara concordaram comigo!
Ganharam uns pontos, eles decidiram descansar um pouquinho e nós seguimos em frente! Algum tempo depois decidimos descansar e dessa vez foram eles que nos acompanharam. Então começamos uma caminhada juntos e bem agradável; fui ensinar para ela uma técnica que aprendi nas aulas de teatro, e ele sai com essa. “Já falei que da próxima vez em vou me casar com um travesti”. Não sei se foi impressão minha ou ele me chamou de travesti, mas enfim. Deixa pra lá rsrsrs. Chegamos em Ribeirão do Meio, um tipo de oásis de águas deliciosamente frias, no meio daquela seca toda. Começamos a conversar ainda com certo receio, até que Antônio nos disse que em toda viagem sempre faziam amizade como casais gays. Foi a deixa pra Gera nos apresentar como casal e pronto num piscar de olhas estávamos trocando figurinhas como velhos amigos!
Foi uma agradável surpresa, confirmando que eles eram lindos, simpáticos, eloquentes, e descolados! Adorooooo!!! E nós que já estávamos na companhia agradabilíssima do nosso amigo, lindo, descolado, o super gato Marcio! Falar desse cara é chover no molhado, só posso dizer que é uma pessoa das mais bonitas que conheço, não apenas um cara bonito mas também inteligente, educado! Uma pessoa muito agradável de se conviver! Como nada é perfeito o Marcio é heterossexual, mas tudo bem. Também não tenho preconceitos com ele! Rsrs E de repente num passe de mágica, estávamos fazendo amizade com a gatíssima Aline e seu marido o não menos gato Antônio! Estávamos nos sentindo né?
Em meio ao papo descontraído e agradável, Aline propõe que fossemos juntos para a Cachoeira do Mosquito, nem pensamos duas vezes pra dizer sim. A noite jantamos juntos uma comida deliciosa no simpático restaurante NAMORANGA indicado por eles no centro de Lençóis e no dia seguinte no horário combinado estávamos na pousada buscando Antônio e Aline. Se eu fosse contar aqui a aventura que foi essa viajem o texto se alongaria demais. Então só posso concluir dizendo que conhecer esse casal carioca incrível, foi “a cereja do bolo” que aconteceu nessa viagem! Ficamos amigos trocamos e-mails, zap e temos possibilidades de visita-los no Rio de Janeiro e vice-versa, estão convidadíssimos pra conhecer nosso humilde “cafofo”! Gratidão a Marcio Marques, Gera Souza ao casal Antônio e Aline e ao “guia Marcos”!            
 Texto: Dih Melo Sobre o nosso passeio à "Chapada Diamantina". 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Citações a um amigo que partiu sem dizer adeus!

Fiquei um período ausente devido a acontecimentos inusitados, que nos pegam de surpresa e nos deixam numa lacuna, num vazio...

Hoje faz 01 mês que meu amigo Luciano nos deixou de forma prematura aos 40 e poucos anos. A ficha não caiu e eu ainda vou passar um bom tempo até me acostumar com a ideia de que não mais ouvirei seus conselhos, suas piadas, suas tiradas, seu humor refinado. 


Não poderei ir mais à São José dos Campos, pelo simples fato de que foi ele que me fez apaixonar pela cidade, vai ser duro estar lá sem a presença dele! São José ficará nas minhas melhores lembranças!  Não vou falar que foi um baque tremendo, que chorei sozinho, que implorei para que Deus o restabelecesse, que vibrei quando ele abriu os olhos, se comunicou e que me deixou na lona quando partiu sem avisar! Sua morte tão repentina me fez repensar sobre minha própria vida... Nós que éramos contemporâneos, que experimentamos as mesmas coisas, que vivemos na mesma época e compartilhamos tantas experiências... agora sinto que uma parte de mim se foi e não mais voltará!


Nossa amizade começou do nada, em um dia comum e imediatamente sabíamos que era como se nos conhecêssemos há décadas. Vivíamos em cidades diferentes, nem por isso deixávamos de nos ver. Éramos como irmãos, pois ele tratava assim, à todos que queria bem. Ficamos um longo período sem nos ver, apenas trocávamos telefonemas. Mas quando nos víamos era como se nunca tivéssemos nos separado. Foram muitos convites para retornar à sua casa, sempre tão hospitaleiro, acolhedor e cuidadoso.
Na penúltima vez, fomos conhecer seu apartamento recém comprado, fruto de um sonho conquistado à custas de seu belíssimo trabalho como Assistente Social. Ao lado de seu fiel companheiro, fomos à um restaurante onde serviam vários tipos de caldos no estilo “self service”... nunca tinha comido tantos caldos variados de uma só vez! Passeamos e demos muitas risadas, conhecemos lugares aconchegantes e em todo instante a certeza de que ele era querido por muitos. Suas qualidades emanava o ser humano gentil que se importava com o bem estar do outro. E a última vez fomos conhecer, a linda cidade de São Francisco Xavier onde ele juntamente com seu companheiro, um outro querido amigo haviam alugado uma casa para veraneio, foi um passeio memorável, nem a chuva atrapalhou nossa estadia lá. Passeamos, tiramos muitas fotos, visitamos cachoeiras. E Luciano como sempre, companheiro, generoso, fazendo com que tudo valesse a pena.   

Então quando soube de sua partida é claro que fiquei introspectivo, isso me trouxe questionamentos, reflexões e uma constatação: o meu tempo também está diminuindo, acabando, se esvaindo...
E o que me resta fazer?
Não há respostas diante disso, apenas uma vontade maior de viver e deixar algo registrado na memória daqueles que me conheceram e compartilharam suas vidas comigo...
Não sei quanto tempo terei pela frente, ninguém sabe, só peço à Deus que me permita partir em paz, sem despedidas, sem choros, sem tristezas... me deixe apenar ir!

Não temo a morte porque a morte não existe. Existe somente a separação até o dia em que viveremos novamente em uma nova roupagem, em um novo ser, em uma nova dimensão!
Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu no livro, "A Identidade", que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu. Chama os amigos de testemunhas do passado e diz que eles são nosso espelho, que através deles podemos nos olhar. Vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. "Contra esse mundo assustador que tá lá fora!"

segunda-feira, 20 de abril de 2015

"TATUADOS NO CORAÇÃO"

 
Estava eu no meu trabalho, no atendimento aos passageiros do voo 2223 com destino à Guarulhos e conexões. Voo lotado, muita gente simples, com excessos de bagagens, levando quase a casa inteira pra S.Paulo, como se em Sampa não encontrassem nenhum daqueles produtos que ele carregavam. Imagine só, o povo carrega na bagagem, desde pimenta até farinha pura. Vai entender né?
De repente sinto meu celular vibrar, vejo que tem uma mensagem no whatsapp. Curioso finalizo o atendimento e corro pra saber quem me chama. É uma amiga de São José dos Campos, me dando a triste notícia que nosso amigo em comum Luciano, está internado em estado grave... Internado às pressas apresentava um problema no abdômen (a princípio um tumor); depois teve trombose e agora iria precisar de uma ponte de safena! Choque total! Estarrecido, fiquei imaginando a cena; ele prostrado num leito de hospitalar! Que dureza, pensei...
Deus está com ele! Jamais iria abandoná-lo neste momento. Justo ele que foi criado em meio a religiosidade, temente à Deus, filho obediente, educado, gente boa, coração solidário... 
Não!! Não conseguia imaginar isso acontecendo. Turbilhão de pensamentos sobre o quê ou como orar; pedindo aos anjos que estivessem ao lado dele, dando todo tipo de força possível.
Fiquei desnorteado até voltar pra casa. Sentei na varanda contemplando as arvores lá no alto da colina, enfileiradas, agrupadas num verde vivo em contraste ao branco das nuvens opacas estiradas no céu. E como pano de fundo um brilho dourado do sol de outono!

Então, comecei a pensar na quantidade e variedades de amigos que fui colecionando por esta longa trajetória até aqui. Por onde passei fui cultivando amizades de todos os tipos diferentes de pessoas, de raças, de credos, de cores, de afinidades e diversidades. Apenas fui encontrando gente disposta a me ajudar e auxiliar em inesperadas circunstâncias que a vida me proporcionou. E o mais interessante; a grande maioria dessas pessoas amigas nem se conhecem até hoje.
É o caso por exemplo do Alexandre Varoli, meu amigo-irmão. Mencionando o fato via wahtsapp, sobre o ocorrido com o Luciano. De repente ele me pergunta: mas quem é Luciano?
Caiu a ficha! Me dei conta de que o Varoli nunca conheceu Luciano. Pasme! Como isso fora possível? Dois dos meus melhores amigos; meus irmãos com quem posso contar em qualquer situação, nunca foram apresentados pessoalmente...
Fiquei com meus pensamentos divagando. Daí me veio a inspiração para escrever este texto.
Sou realmente privilegiado pelo universo, por conhecer tanta gente boa, do bem, de bom coração. Capaz de se doar em benefício do outro. Dois grandes exemplos de seres humanos especiais: Luciano e Varoli!!

Eu os conheci em momentos e situações opostas, em épocas e cidades diferentes e eles nunca se conheceram. Eu ainda não proporcionei o encontro dessas duas grandes criaturas e experimentar um momento único em minha vida! Esse sentimento me emocionou.
Peço à Deus que uma vez mais me abençoe e me dê a oportunidade de estar com eles novamente. Pra abraça-los, rir, “bebemorar”, falar palavrão e ver o tempo passar entre conversas, piadas e estórias!!
Aliás, quem nunca teve este pensamento: de poder reunir todos seus grandes amigos em um único lugar!
Eu pensei nisso inúmeras vezes, tempos atrás, quando meus amigos se reuniam em meu apartamento e passávamos finais de semana memoráveis!!
Apesar desse momento difícil e complicado, vendo um amigo tão próximo ir parar na UTI; consigo me confortar com o pensamento de que conheci tanta gente bacana, solidária, que me “deram guarida” quando eu mais necessitava. Não me esqueço de nenhuma dessas pessoas, até daqueles que nunca mais vi ou tive notícias... Todos estão tatuados no meu coração e arquivados na minha memória!! Taí dois excelentes exemplos de humanidade fraternidade: Varoli e Luciano!
É nesse sentimento que desejo emanar e pedir à todos, independentemente de sua religião, que enviei as maiores vibrações para meu irmão Lú...

Que anjos consoladores estejam te fortalecendo neste instante tão crucial!!
*PS: Fotos e video by DihMelos

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O FIO DA MEADA !! - Parte 2


Minha primeira grande paixão por outro homem aconteceu quando eu tinha 15 anos. Eu morava em Santos e trabalhava em uma Administradora de Imóveis. Lembro-me de todos que trabalhavam lá: o gerente era o Luiz, sempre alegre, brincalhão e daqueles que abraçava os funcionários. Ele sempre me lançava olhares maliciosos, soltava elogios sobre minhas pernas, coxas e como eu me vestia. Eu ficava desconcertado mas no fundo envaidecido! Eu adorava usar calças bem apertadas que delineavam minha formas esculturais, afinal tinha um corpo atlético, jogava bola, nadava! Gostava de chamar atenção e de receber olhares por onde passava! Naquela época eu não retribuía e hoje eu entendo que ele nutria uma atração sexual por mim. Tinha também o Arnaldo, do mesmo jeito sempre de bom humor, magrinho tinha uma paralisia em uma das pernas e andava mancando. E havia também o Zé Luís, mais calado e não menos engraçado e brincalhão. Por este eu sentia o corpo todo arrepiar só em olhar! Era um belo exemplar masculino com um corpo escultural; fazia judô e natação. Gostava de se mostrar, sempre com calças apertadas denotando o volume avantajado do seu membro! Era meio loiro, meio ruivo, cabelos fartos quase nos ombros! Me olhava de um jeito que me deixava encabulado. Ele sabia que eu era virgem e me assediava o tempo todo de forma velada. Arrumava um jeito de ficarmos sempre sozinhos na sala de arquivos, onde tentava me agarrar exibindo seu grosso membro envergado como o de um “sátiro”! Nunca cedi às suas tentativas e me arrependo amargamente por isso! Rsrsrsrsrsrsrs...
Aos 16 anos, mudamos para São Paulo, trabalhava na Mendes Junior próximo a esquinas da av. São Luis com R. Xavier de Toledo. No horário do almoço, observava um homem branco, alto, corpo esbelto, bem vestido; que almoçava no restaurante em frente, ele atravessava a rua e entrava no prédio ao lado do meu. Sempre com um sorriso aberto me lançava um olhar instigante. De propósito todos os dias, lá estava eu na espera daquele sorriso lindo. Até que um dia eu retribuí e ele veio em minha direção. Tremi dos pés à cabeça. Não sabia o que dizer, quando ele perguntou se eu trabalhava ali. Ruborizado eu disse que sim e saí em disparada subindo ofegante os lances das escadas até o meu andar. Meu coração parecia que ia pular! No dia seguinte criei coragem e fiquei estrategicamente no meio do caminho possibilitando um bate papo mais discreto. Conversamos e foi logo perguntando se eu queria me encontrar com ele após o expediente, respondi que sim! Então naquele dia fui parar em seu belo apartamento na R. Frei Caneca perto da av. Paulista. Não houve preâmbulos, nem beijos calorosos, nem carícias, a coisa foi nua e crua. Sem meandros foi direto ao ponto de maneira rude e viril. Foi minha primeira decepção sexual, decepcionante e marcante pelo fato de ser passivo na primeira experiência. Definitivamente não foi legal e isso deixou cicatrizes por alguns anos; fiquei com medo de me envolver.
Comecei a frequentar boates e bares gays na região central de São Paulo.
Os famosos “guetos” daquela época tinham um clima intimista, com meia-luz nas mesinhas e músicas românticas nas “vitrolas juke box”.  Era o auge dos anos 80, gostava das grandes boates como a Medieval, o Nostro Mondo, a Homo Sapiens (ou HS), e também dos bares “266 West”, “Val Improviso”, “Caneca de Prata”, além do famoso “Ferro’s Bar” frequentado exclusivamente por lésbicas!
Vivíamos um clima de apreensão devido a ditadura militar, a perseguição do delegado Wilson Richetti aos gays e travestis e depois com a explosão da Aids.
As oportunidades e aventuras sexuais aconteceram espontaneamente, com o vigor e a força de uma juventude, que ansiava por novas descobertas e queria ser aprovado na faculdade da vida.

Lembro em especial de um cara que encontrei em um barzinho, paqueramos e começamos a namorar. Ele se apaixonou de imediato e me presenteava com passeios à lugares românticos pelo interior de São Paulo. Mas como eu amava minha liberdade mais do que a mim mesmo, terminei o namoro de forma melancólica! Eu era um jovem sonhador e só tinha compromisso com minha vida! Não queria me prender à ninguém! Eu era jovem, sabia dançar, me vestia bem e achava que não ia morrer nunca!!
Uma única constatação nesse flashback é que eu jamais amei alguém. Tive alguns momentos de raras paixões, movido pelo clima de alguma música mais envolvente ou por uma carência momentânea. Por exemplo, mais tarde em meio a minha vida monástica, andando pelas ruas, me esbarrei em um anjo dos cabelos loiros e olhos verdes, sorrindo pra mim, me convidando a sair voando com ele pelas estrelas. Instante de total perda de razão, cegueira emocional. Fiz malabarismos para estar entre quatro paredes com aquele ser angelical e doce, em momentos de pura magia! O namoro não durou muito. Fiquei sabendo tempos depois que ele se envolveu com outro cara, contraiu aids e veio a óbito!
Naquela época de pouca informação foi um choque muito grande. Mas eu segui em frente como um descobridor dos setes mares.
Vivi um período no interior da Bahia e lá pela proximidade de parentescos, tive meu primeiro amor platônico por um amigo do meu primo. Ele era atencioso, me ajudava em tudo, na adaptação, nas caminhadas pra roça, pro açude; fazia questão de me inserir na cultura local. Um dia me levou para conhecer Salvador, fomos num restaurante na beira da praia e ao lado dele me sentia especial. Naquele momento tive que me segurar para não me jogar nos braços dele e me entregar de corpo e alma. Ele nunca percebeu nem insinuou nada. Anos depois se casou e teve vários filhos. Nunca mais o ví!
Também tive uma experiência digamos diferente com um amigo mais próximo.
Ele estava passando por uma situação emocional complicada com a namorada e se aconselhava sempre comigo. Eu dava forças pra ele conquistar a moça, uma conhecida minha. Ele vinha todos os dias em casa, passava horas e vez ou outra até dormia em casa. Detalhe, algumas vezes tomamos banho juntos e dormíamos na mesma cama, entre aconselhamentos, eu me abri e falei da minha atração por ele; que simplesmente abriu um grande sorriso e disse: mas nós somos como irmãos! Disse que tinha enorme carinho por mim e que me entedia. Dormimos abraçados muitas vezes e ele nunca sequer demonstrou nenhum interesse sexual. Havia um respeito tão grande e por isso ficou marcado em minha vida. Hoje somos grandes amigos, ele casou com uma mulher inteligente que combina com ele e tem uma filha linda!
Como falei anteriormente, vivi todas as experiências sem nenhuma expectativa do que viria a seguir. Entre sonhos e dramas pessoais fui amadurecendo. Não me esqueço de nenhum daqueles que ilustraram as páginas da minha vida. A grande maioria nem sei por onde anda. Só sei que guardo cada lembrança como um souvenir raro que afaga minha alma e me enche de gratidão!

E vocês, que lembranças guardam dos tempos de iniciação?
*PS: Deixo abaixo alguns videos que encontrei no youtube, de um documentário "SÃO PAULO EM HI FI" do diretor Lufe Steffen de 2013; que retrata a vida gay nos anos 70 e 80.




sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

DEPOIS DO TEMPORAL

 E a vida segue debaixo de um "calorzão de rachar mamona” aqui na considerada “Suiça Nordestina”... Kkkkkkkkkk
O título é provocativo apenas para contar um pouco mais da minha trajetória depois da decisão em “retornar à terrinha”, após anos no exílio... 

Confesso que ultimamente ando sem nenhuma motivação para escrever, as vezes até começo a matutar um tema, mas logo a preguiça, o cansaço e os problemas do cotidiano me deixam estático e apático.
Vamos ver o que vai sair... preciso confessar que me sinto até sem jeito, diante das cutucadas carinhosas que o nosso gauchão preferido (O Fred TPM), sempre a me cobrar por atualizações. Pra você Freduco o meu carinho e quero dizer que tentarei ao menos 01 texto por mês combinados? Rsrsrsrsrsrs
É o seguinte: farei um resumão do que foi este meu primeiro ano de retorno ao interior da Bahia. Teve de tudo e um pouco mais... só pra manter sempre o suspense em alta.
No começo houve aquele encanto saudosista em rever pessoas amigas e relembrar bons momentos vividos aqui. Também uma certa ansiedade em começar a produzir e me inserir de vez no contexto local. Eu diria que foi um período de readaptação normal, conforme o que havia planejado. Mas logo a seguir veio uma onda de incertezas. O que parecia algo concreto, se tornou uma incógnita! O trabalho no hotel onde eu havia sido indicado, foi pro ralo abaixo. E a primeira constatação: aqui as coisas seriam bem mais difíceis e as barreiras maiores. Para um cinquentão acostumado aos desafios de Sampa.  No começo até tirei de letra mas com o passar dos meses, fui me sentindo sufocado e cheguei à beira do pânico. O que parecia um sonho, virou um pesadelo. As dívidas começaram a fazer fila e o humor foi bastante afetado! As preocupações se tornaram concretas e novamente busquei na força interior, o antídoto pra mais uma superação.
O que mais me deixou pra baixo, por incrível que pareça, não foi a dificuldade em conseguir emprego e presenciar a mentalidade retrógrada da grande maioria daqueles que conduzem a economia local. Mas foi a frieza disfarçada por máscaras de boas intenções, quando percebi que alguns amigos das antigas viraram as costas e dissimularam com falsas aparências... Presenciei situações em que alguns até me evitaram, passavam na rua como se não me vissem, não atendiam minhas ligações e nem retornavam. O mais gozado é que eu não pedia nada pra ninguém, só queria um suporte, uma indicação e muitos até demonstravam boa vontade em ajudar. Eu não tive retorno e sequer fui chamado para alguma entrevista com a indicação de qualquer um deles e até hoje ninguém nem procurou saber se eu estou trabalhando ou não. Definitivamente passei a acreditar no ditado: “cada um por si e deus por todos”. Chegou a doer na alma! Mas eu não desisti, corri atrás, bati em todas as portas dia após dia, até que o sol voltou à brilhar pra mim.

Fui contratado para trabalhar no aeroporto de Vitória da Conquista; um cargo simples, mas para o local sinônimo de “status”. Pra mim só mais um desafio à vencer! Para os padrões nordestinos, o salário estava à altura de São Paulo, porque a empresa é de Ribeirão Preto e a categoria é sindicalizada. Talvez por isso é que era possível ver a carinha de felicidade de alguns colegas que foram contratados junto comigo. Ao todo 06 pessoas, 02 moças e 06 “rapazes” e aqui eu me incluo neste aspas...rsrsrs
Confesso que durante a seleção, achava que não estaria entre os escolhidos, principalmente porque por aqui o tal do “Q.I” conta e muito. (O famoso “Quem Indica!”). Recebi o telefonema sobre minha aprovação, em pleno São João na cidadezinha de Macaúbas, curtindo a Copa do Mundo. Minha surpresa só não foi maior, quando me encontrei com os outros aprovados. Acreditem, todos sem nenhuma exceção, não tinham nenhuma experiência em empresa aérea ou atendimento específico para a função! Fiquei com a pulga atrás da orelha e ela ainda está lá até hoje; seis meses depois a única constatação: não sei que critério, foi usado para me incluir nesse bolo de aniversário de gosto duvidoso. Os outros aprovados são todos jovens imaturos, sem qualificação profissional, mal falam ou escrevem corretamente o português e nem possuem curso de nível superior. Um deles nem computador sabe usar. O cúmulo do absurdo! Entendam que não estou aqui dizendo que sou o melhor e coisa e tal. Muito pelo contrário. Em comparação aos outros concorrentes, haviam pessoas com melhor preparo do que eu. Mas nenhum deles foram selecionados. Eu não vou me aprofundar nesta questão, vou deixar que vocês tirem suas conclusões e teçam suas opiniões.
O que eu posso dizer até aqui é que ainda não me sinto nem um pouco à vontade no meio deles. Na verdade sinto-me como um peixe fora do aquário. O primeiro mês foi o mais difícil: muitas brincadeiras desconexas, e até constrangedoras um exagero na minguada cultura local, apelativas e exageradamente com conotação sexual. Nunca tinha visto aquilo. Ainda não me acostumei com o nível das brincadeiras. Por ser camaleão me adaptei apenas. Estou sobrevivendo. Torça por mim!
Meus dias têm sido assim, alternando entre uma bagunça generalizada no trabalho e a falta de educação dos passageiros locais, que pensam que aeroporto é rodoviária e que o “ônibus” tem que esperar todos chegarem para depois decolar! Falta de conhecimento total. Ah e tem ainda as condições do aeroporto que eu nem falei. Um cubículo onde esnobes, leigos, artistas e incautos se amontoam aguardando partidas e chegadas. Não há nenhuma aparelhagem automática e por isso os pousos e decolagens dependem exclusivamente das condições do tempo. Pior, como a cidade está localizada em uma região entre montanhas, as nuvens muitas vezes encobrem uma pista acanhada, impedindo a visibilidade; contribuindo e muito para que passageiros neuróticos e histéricos destilem seus destemperos em cima dos atendentes das duas únicas empresas que atendem à região.
Não me perguntem quanto tempo vou durar lá... Nem eu sei... Só sei que todos os dias mentalizo um horizonte, faço planos, me concentro e encarno o ator que eu nem sabia existia em mim, e faço o meu papel diário da melhor forma possível. E olha que nem espero ganhar o Oscar. kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Stress? Quem não os tem, né mesmo?

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