Pessoas que me prestigiam!!!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

DEPOIS DO TEMPORAL

 E a vida segue debaixo de um "calorzão de rachar mamona” aqui na considerada “Suiça Nordestina”... Kkkkkkkkkk
O título é provocativo apenas para contar um pouco mais da minha trajetória depois da decisão em “retornar à terrinha”, após anos no exílio... 

Confesso que ultimamente ando sem nenhuma motivação para escrever, as vezes até começo a matutar um tema, mas logo a preguiça, o cansaço e os problemas do cotidiano me deixam estático e apático.
Vamos ver o que vai sair... preciso confessar que me sinto até sem jeito, diante das cutucadas carinhosas que o nosso gauchão preferido (O Fred TPM), sempre a me cobrar por atualizações. Pra você Freduco o meu carinho e quero dizer que tentarei ao menos 01 texto por mês combinados? Rsrsrsrsrsrs
É o seguinte: farei um resumão do que foi este meu primeiro ano de retorno ao interior da Bahia. Teve de tudo e um pouco mais... só pra manter sempre o suspense em alta.
No começo houve aquele encanto saudosista em rever pessoas amigas e relembrar bons momentos vividos aqui. Também uma certa ansiedade em começar a produzir e me inserir de vez no contexto local. Eu diria que foi um período de readaptação normal, conforme o que havia planejado. Mas logo a seguir veio uma onda de incertezas. O que parecia algo concreto, se tornou uma incógnita! O trabalho no hotel onde eu havia sido indicado, foi pro ralo abaixo. E a primeira constatação: aqui as coisas seriam bem mais difíceis e as barreiras maiores. Para um cinquentão acostumado aos desafios de Sampa.  No começo até tirei de letra mas com o passar dos meses, fui me sentindo sufocado e cheguei à beira do pânico. O que parecia um sonho, virou um pesadelo. As dívidas começaram a fazer fila e o humor foi bastante afetado! As preocupações se tornaram concretas e novamente busquei na força interior, o antídoto pra mais uma superação.
O que mais me deixou pra baixo, por incrível que pareça, não foi a dificuldade em conseguir emprego e presenciar a mentalidade retrógrada da grande maioria daqueles que conduzem a economia local. Mas foi a frieza disfarçada por máscaras de boas intenções, quando percebi que alguns amigos das antigas viraram as costas e dissimularam com falsas aparências... Presenciei situações em que alguns até me evitaram, passavam na rua como se não me vissem, não atendiam minhas ligações e nem retornavam. O mais gozado é que eu não pedia nada pra ninguém, só queria um suporte, uma indicação e muitos até demonstravam boa vontade em ajudar. Eu não tive retorno e sequer fui chamado para alguma entrevista com a indicação de qualquer um deles e até hoje ninguém nem procurou saber se eu estou trabalhando ou não. Definitivamente passei a acreditar no ditado: “cada um por si e deus por todos”. Chegou a doer na alma! Mas eu não desisti, corri atrás, bati em todas as portas dia após dia, até que o sol voltou à brilhar pra mim.

Fui contratado para trabalhar no aeroporto de Vitória da Conquista; um cargo simples, mas para o local sinônimo de “status”. Pra mim só mais um desafio à vencer! Para os padrões nordestinos, o salário estava à altura de São Paulo, porque a empresa é de Ribeirão Preto e a categoria é sindicalizada. Talvez por isso é que era possível ver a carinha de felicidade de alguns colegas que foram contratados junto comigo. Ao todo 06 pessoas, 02 moças e 06 “rapazes” e aqui eu me incluo neste aspas...rsrsrs
Confesso que durante a seleção, achava que não estaria entre os escolhidos, principalmente porque por aqui o tal do “Q.I” conta e muito. (O famoso “Quem Indica!”). Recebi o telefonema sobre minha aprovação, em pleno São João na cidadezinha de Macaúbas, curtindo a Copa do Mundo. Minha surpresa só não foi maior, quando me encontrei com os outros aprovados. Acreditem, todos sem nenhuma exceção, não tinham nenhuma experiência em empresa aérea ou atendimento específico para a função! Fiquei com a pulga atrás da orelha e ela ainda está lá até hoje; seis meses depois a única constatação: não sei que critério, foi usado para me incluir nesse bolo de aniversário de gosto duvidoso. Os outros aprovados são todos jovens imaturos, sem qualificação profissional, mal falam ou escrevem corretamente o português e nem possuem curso de nível superior. Um deles nem computador sabe usar. O cúmulo do absurdo! Entendam que não estou aqui dizendo que sou o melhor e coisa e tal. Muito pelo contrário. Em comparação aos outros concorrentes, haviam pessoas com melhor preparo do que eu. Mas nenhum deles foram selecionados. Eu não vou me aprofundar nesta questão, vou deixar que vocês tirem suas conclusões e teçam suas opiniões.
O que eu posso dizer até aqui é que ainda não me sinto nem um pouco à vontade no meio deles. Na verdade sinto-me como um peixe fora do aquário. O primeiro mês foi o mais difícil: muitas brincadeiras desconexas, e até constrangedoras um exagero na minguada cultura local, apelativas e exageradamente com conotação sexual. Nunca tinha visto aquilo. Ainda não me acostumei com o nível das brincadeiras. Por ser camaleão me adaptei apenas. Estou sobrevivendo. Torça por mim!
Meus dias têm sido assim, alternando entre uma bagunça generalizada no trabalho e a falta de educação dos passageiros locais, que pensam que aeroporto é rodoviária e que o “ônibus” tem que esperar todos chegarem para depois decolar! Falta de conhecimento total. Ah e tem ainda as condições do aeroporto que eu nem falei. Um cubículo onde esnobes, leigos, artistas e incautos se amontoam aguardando partidas e chegadas. Não há nenhuma aparelhagem automática e por isso os pousos e decolagens dependem exclusivamente das condições do tempo. Pior, como a cidade está localizada em uma região entre montanhas, as nuvens muitas vezes encobrem uma pista acanhada, impedindo a visibilidade; contribuindo e muito para que passageiros neuróticos e histéricos destilem seus destemperos em cima dos atendentes das duas únicas empresas que atendem à região.
Não me perguntem quanto tempo vou durar lá... Nem eu sei... Só sei que todos os dias mentalizo um horizonte, faço planos, me concentro e encarno o ator que eu nem sabia existia em mim, e faço o meu papel diário da melhor forma possível. E olha que nem espero ganhar o Oscar. kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Stress? Quem não os tem, né mesmo?

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